(pra não dizer que esqueco os dias púrpura)



Além de me foder bem, com carinho e com fúria, com atenção e egoísmo, gritando-me e no silêncio, gosta de me surpreender. Nada de rosas vermelhas ou pulseiras de diamantes. Nada de jantares em restaurantes pseudo-românticos ou vistosas caixas de bombons raros e caríssimos. Nada de viagens a ilhas paradisíacas nem fins de semana em iates no alto mar. Faz-me amor e fode-me, intercaladamente, até que, exausta, adormeço, de costas voltadas para ele, a mão a suster-lhe, agradecida, o caralho adormecido, húmido e macio. Deixa-me adormecer assim sem se mover, quase sem respirar. Não me toca. Não me deseja bons sonhos. Parece já nem estar ali. Parece que cada um de nós, saciados agora, volta para a sua própria casa, ainda que fiquemos deitados na mesma cama, lado a lado. É depois de o meu sono ser profundo, é quando a minha respiração sossega e equaliza, é quando a minha mão se recolhe para entre as minhas pernas que ele, despertíssimo, lentamente, sem dificuldade, abre as minhas nádegas. A primeira coisa que sinto, ainda a arrancar-me ao sono profundo, o primeiro, o merecido descanso desta guerreira sem tréguas, é a sua língua meio seca, enrolada e firme, a penetrar-me o cu. Mexo-me um pouco. Os pelos do seu peito fazem cócegas na minha carne macerada. Aproveita esse movimento para agarrar melhor as minhas nádegas e, segurando-as firmemente afastadas, deixa escorrer um fio de saliva que cai frio no calor do meu cu, fodido poucas horas antes. A sua mão força-me a pélvis para cima, mais ao encontro da sua boca. Eu ajeito-me, ainda adormecida e habituada a sonhos bons. Sinto a sua mão abrir caminho pela minha cona, ainda ou já húmida. Sinto-a rodar, perfurar, entrar como se essa fosse a sua casa. Continua a foder-me o cu com a língua. Eu dou-lho, agradavelmente descontraída. A sua mão na minha cona guia todo o meu corpo, puxa-me para cima, obriga-me a manter um ângulo de rins digno de uma artista de circo. E eu não me queixo. Dou-lhe o que quer do meu corpo. A sua saliva molha-me o cu, escorre-me já pelas nádegas, até à cona que abriga a sua mão, metida até ao punho, com convicção. Sinto-o endireitar-se no silêncio do quarto onde adivinho já os primeiros raios de sol, mas não abro os olhos. A sua mão dentro da minha cona alivia o movimento de vai-e-vem e aperto-o para que não a retire. Uma lambidela mais no cu, apenas. Uma lambidela. E, de repente, o seu caralho, sempre bem-vindo, a entrar, a escorregar para dentro desse túnel sempre misterioso e obscuro. A sua mão, agora parada, enche-me a cona e é o seu caralho que me fode o cu com tanta força quanto é possível. E eu abro-me o mais que posso e já sou eu que o fodo, não é ele que me fode a mim. E continuamos a foder-nos, quase violentamente, não fosse o brilho que as minhas pálpebras corridas encobrem e eu sinto o orgasmo cavalgando rapidamente e chamo-o, "vem a mim, vem-te a mim, vem-te para mim", e com a minha mão, com dois dedos da minha mão direita, violento o meu clítoris como se este fosse o meu último orgasmo. E venho-me como um animal selvagem, estrangulando-lhe o pulso enquanto me contraio, dando-lhe o cu que me fode cada vez mais forte, enquanto lhe grito que se venha no meu cu como se fosse um cavalo alado quem me estivesse a foder. Ele retira, bruscamente, a mão da minha cona, segura-me pelos quadris, grita-me que se vem, como se fosse preciso dizer-mo, tal o estertor que lhe sacode as pernas e cai por cima de mim, suado, satisfeito, segurando, com as suas mãos em concha, as minhas mamas feitas para aí caberem e descansarem inteiras. E adormecemos de novo.


e-mail comments