imagem: rogério marcondes





Beija-me o corpo. Tu apenas, agora. Não me peças nada. Hoje é dia de receber. O muito ou pouco que me quiseres dar.
Tinha frio, na rua. Tu não? Não te divertiu o meu nariz avermelhado? Ainda não te ouvi rir. Talvez o faças depois do orgasmo. Eu gosto de rir depois, mas não sei se rirei contigo. Não te conheço nem te beijei.
Gostas do tule dos cortinados assim agitados pelo ar quente que circula? E do meu cabelo agitado pela tua respiração?
Eu estou a gostar de ti. Mas é fácil gostarmos de quem nos trata bem o corpo. Não, não insistas, não quero ir para a cama. Gosto do chão junto ao sofá. Daqui a pouco liberto-me. Por agora, estou a gostar de ser o teu objecto de prazer, sem inquietações, sem medo de que não gostes de mim ou de que partas. Sem posse, sem ciúme, sem promessas nem projectos. Apenas o instante. O instante que podemos prolongar enquanto nos for agradável.


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