Quando fecho os olhos e as suas mãos entre as minhas pernas insistem para que me venha. Quando a sua língua me aquece a boca. Quando a minha mão lhe desaperta as calças e crava os dedos no seu pénis. Quando a sua boca desce até às minhas mamas e as beija e morde devagarinho. Quando a minha boca o procura para mais um beijo. Quando se vem na minha boca e eu o engulo inteiro. Quando abro os olhos e o vejo, no último estertor do orgasmo, olhando-me como se me visse.


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    Quantas noites me vi sozinha nesta casa, à tua espera? Quantas noites me vi acompanhada nesta casa, à tua espera?

    Tu vens, é certo, hoje ainda, amanhã, depois, acabas por vir. Mas, e quando vens? Porque continuo à tua espera? Porque me trazes o sorriso molhado da rua, o olhar comprazido dos outros, a energia frenética dos teus dias?

    Porque não vens despido de memórias, de princípios, de certezas, apenas para mim, quando vens? Porque não me fazes sentir que a espera não faz menos de mim? Porque tenho que me despir de mim para te poder sentir? Porque é que me fazes ter medo de agir e só me sobra o reagir? Porque é que falta a leveza, a entrega absoluta?

    A minha casa é o meu castelo. Quem fará de mim sua princesa?


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      (pra não dizer que esqueco os dias púrpura)



      Além de me foder bem, com carinho e com fúria, com atenção e egoísmo, gritando-me e no silêncio, gosta de me surpreender. Nada de rosas vermelhas ou pulseiras de diamantes. Nada de jantares em restaurantes pseudo-românticos ou vistosas caixas de bombons raros e caríssimos. Nada de viagens a ilhas paradisíacas nem fins de semana em iates no alto mar. Faz-me amor e fode-me, intercaladamente, até que, exausta, adormeço, de costas voltadas para ele, a mão a suster-lhe, agradecida, o caralho adormecido, húmido e macio. Deixa-me adormecer assim sem se mover, quase sem respirar. Não me toca. Não me deseja bons sonhos. Parece já nem estar ali. Parece que cada um de nós, saciados agora, volta para a sua própria casa, ainda que fiquemos deitados na mesma cama, lado a lado. É depois de o meu sono ser profundo, é quando a minha respiração sossega e equaliza, é quando a minha mão se recolhe para entre as minhas pernas que ele, despertíssimo, lentamente, sem dificuldade, abre as minhas nádegas. A primeira coisa que sinto, ainda a arrancar-me ao sono profundo, o primeiro, o merecido descanso desta guerreira sem tréguas, é a sua língua meio seca, enrolada e firme, a penetrar-me o cu. Mexo-me um pouco. Os pelos do seu peito fazem cócegas na minha carne macerada. Aproveita esse movimento para agarrar melhor as minhas nádegas e, segurando-as firmemente afastadas, deixa escorrer um fio de saliva que cai frio no calor do meu cu, fodido poucas horas antes. A sua mão força-me a pélvis para cima, mais ao encontro da sua boca. Eu ajeito-me, ainda adormecida e habituada a sonhos bons. Sinto a sua mão abrir caminho pela minha cona, ainda ou já húmida. Sinto-a rodar, perfurar, entrar como se essa fosse a sua casa. Continua a foder-me o cu com a língua. Eu dou-lho, agradavelmente descontraída. A sua mão na minha cona guia todo o meu corpo, puxa-me para cima, obriga-me a manter um ângulo de rins digno de uma artista de circo. E eu não me queixo. Dou-lhe o que quer do meu corpo. A sua saliva molha-me o cu, escorre-me já pelas nádegas, até à cona que abriga a sua mão, metida até ao punho, com convicção. Sinto-o endireitar-se no silêncio do quarto onde adivinho já os primeiros raios de sol, mas não abro os olhos. A sua mão dentro da minha cona alivia o movimento de vai-e-vem e aperto-o para que não a retire. Uma lambidela mais no cu, apenas. Uma lambidela. E, de repente, o seu caralho, sempre bem-vindo, a entrar, a escorregar para dentro desse túnel sempre misterioso e obscuro. A sua mão, agora parada, enche-me a cona e é o seu caralho que me fode o cu com tanta força quanto é possível. E eu abro-me o mais que posso e já sou eu que o fodo, não é ele que me fode a mim. E continuamos a foder-nos, quase violentamente, não fosse o brilho que as minhas pálpebras corridas encobrem e eu sinto o orgasmo cavalgando rapidamente e chamo-o, "vem a mim, vem-te a mim, vem-te para mim", e com a minha mão, com dois dedos da minha mão direita, violento o meu clítoris como se este fosse o meu último orgasmo. E venho-me como um animal selvagem, estrangulando-lhe o pulso enquanto me contraio, dando-lhe o cu que me fode cada vez mais forte, enquanto lhe grito que se venha no meu cu como se fosse um cavalo alado quem me estivesse a foder. Ele retira, bruscamente, a mão da minha cona, segura-me pelos quadris, grita-me que se vem, como se fosse preciso dizer-mo, tal o estertor que lhe sacode as pernas e cai por cima de mim, suado, satisfeito, segurando, com as suas mãos em concha, as minhas mamas feitas para aí caberem e descansarem inteiras. E adormecemos de novo.


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        imagem: rogério marcondes





        Beija-me o corpo. Tu apenas, agora. Não me peças nada. Hoje é dia de receber. O muito ou pouco que me quiseres dar.
        Tinha frio, na rua. Tu não? Não te divertiu o meu nariz avermelhado? Ainda não te ouvi rir. Talvez o faças depois do orgasmo. Eu gosto de rir depois, mas não sei se rirei contigo. Não te conheço nem te beijei.
        Gostas do tule dos cortinados assim agitados pelo ar quente que circula? E do meu cabelo agitado pela tua respiração?
        Eu estou a gostar de ti. Mas é fácil gostarmos de quem nos trata bem o corpo. Não, não insistas, não quero ir para a cama. Gosto do chão junto ao sofá. Daqui a pouco liberto-me. Por agora, estou a gostar de ser o teu objecto de prazer, sem inquietações, sem medo de que não gostes de mim ou de que partas. Sem posse, sem ciúme, sem promessas nem projectos. Apenas o instante. O instante que podemos prolongar enquanto nos for agradável.


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